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Doutrina

Questão de sobrevivência


Autor:
NALINI, José Renato

Lamentável que o meio ambiente não mereça no Brasil o respeito devido. Não fosse pelo seu significado, parcela indissociável de nossa natureza, teria de ser cultuado porque é a fonte de subsistência de todas as espécies de vida. Cegos e insensíveis, continuamos a massacrá-lo. Nos níveis micro e macro. Desde a poluição desenfreada de água, atmosfera, solo e tudo o que concerne à qualidade de vida, como a paisagem, a cultura, a história, a arquitetura, etc., até o descaso em relação aos resíduos sólidos que produzimos e que empesteiam o mundo.

Neste campo, é só retrocesso o que podemos registrar. Não faltam normas, desde o belíssimo artigo 225 da Constituição Cidadã. O que falta é vergonha, é compromisso, é seriedade.

Assinamos todos os tratados internacionais. Comprometemo-nos ao desmatamento zero e continuamos a anistiar os dendroclastas, a deixar de executar as pífias multas ambientais. A impunidade é a regra nesse campo.

Os políticos incluem a defesa ecológica no discurso, como um tempero sedutor. Mas sabem que nada farão de concreto. Continuarão submissos a quem enxerga o "desenvolvimento" como sinônimo de "desmatamento".

Confunde-se desmatamento zero com desmatamento líquido zero. Este é só controlar que a regeneração ou recuperação das florestas equivalha à destruição. Aquele significaria parar a derrubada legal e convencer o proprietário a ganhar dinheiro com as árvores em pé e vivas.

Mas há muito mais a ser feito. Repensar as hidrelétricas na Amazônia, fim do subsídio e taxação aos combustíveis fósseis, programas de aceleração de matrizes energéticas ecologicamente corretas retomada da criação de unidades de conservação, demarcação de terras indígenas, transição para a economia carbono neutro no âmbito da estratégia de longo prazo do Acordo de Paris. Precisaríamos rever o revogado Código Florestal, que a tudo flexibilizou, em detrimento da natureza. Retomar a implantação dos distritos florestais sustentáveis, implementar a agricultura de baixo carbono, sanear em conexão com a segurança hídrica, aproveitamento de águas pluviais, reuso e redução de perdas e desperdício, recuperação de nascentes, revitalização de bacias hidrográficas, ressurreição dos cursos d'água sepultados pelo asfalto.

Repensar a destinação dos resíduos sólidos, aumentar a reciclagem, reduzir o uso de agrotóxicos, implantar ciclovias, enfim, disseminar a educação ambiental em todos os níveis. Só ela poderá converter o brasileiro, hoje praticamente irresponsável - em sua maioria - em relação ao ambiente, num guardião da natureza. Não é uma questão econômica. É uma questão de sobrevivência.

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